Projeto Farol

Foram registrados 1.470 feminicídios no país em 2025. Isso equivale a quatro mulheres assassinadas por dia por razões de gênero. Isso significa que, desde 2015, desde que o crime foi tipificado, o crescimento acumulado de casos chega a 316%, com maior número de ocorrências nos Estados de São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Bahia.

O Projeto Farol convida justamente a pensar sobre escolhas individuais e coletivas diante dessa violência contra a mulher. As intervenções artísticas realizadas se valem da arte para levar as pessoas a pararem e pensarem sobre o assunto, em um contexto em que a maioria dos crimes ocorre no ambiente doméstico, sendo praticada predominantemente por parceiros ou ex-companheiros das vítimas.

A parada proposta para pensar foca principalmente na identificação precoce do ciclo de violência e na desconstrução de comportamentos culturais que normalizam o controle sobre a mulher, como insultos, ameaças, destruição de objetos, crises de ciúme, e agressão física, verbal, psicológica ou sexual.

O conceito desta ação artística é conscientizar e prevenir. Para isso, é possível utilizar a arte e outros recursos, como a tecnologia, para uma educação comportamental focada no rompimento do ciclo de violência antes que ele atinja o estágio letal. Nesse contexto, as ações pontuais e surpreendentes deste projeto buscam justamente acender um farol vermelho de reflexão.

Oscar D’Ambrosio, curador, professor, historiador e jornalista. (foto: Acervo pessoal)

 

Em pleno 2026, seguimos assistindo à mesma cena se repetir cada vez mais: 7 em cada 10 mulheres são deixadas para trás quando mais precisam de companhia, cuidado e amor. E quantas dessas histórias já vinham sendo escritas com silêncio, medo e violência dentro de casa? Quantas já lutavam pela própria dignidade antes mesmo de lutarem pela própria vida?

O câncer chega como uma batalha biológica. Mas, para muitas mulheres, ele escancara outra guerra: a de sobreviver ao machismo, à negligência, à brutalidade emocional e física.

Batemos recorde de feminicídio em 2025, com 4 mortes por dia. Mas 19 por dia morrem devido ao câncer de colo de útero, fruto do vírus HPV que seus maridos e namorados levam para casa. No entanto, é a mulher que é mal vista e julgada. Precisamos parar de seguir queimando Joana D’Arc na fogueira do descrédito, do abandono e da violência.

O Projeto Farol propõe etapas de reflexão que podem finalmente apagar o fósforo com nossas armas mais poderosas: a cultura, a educação e a humanidade.

Vilma Kano, Artista Plástica, paciente metastática e Presidente da ONG Vilma Kano. (Foto: Lu Gebara)

 

Imagens: @amcriativestudio  @adriano_mendz @letiiciacos @_ss.amanda @joseroberto.souza1

 

Resultado do nosso experimento social com intervenção artística nos 22 faróis da Avenida Paulista, 8M de 2026.
Milhares de pessoas passaram, poucas perceberam. 
Na arte não existe certo ou errado, mas perguntas urgentes:
O que fazemos quando presenciamos uma violência?

 

Artistas do Projeto Farol

“Amor não machuca, não humilha e não mata.”
Waleska Nomura

“Foi-se o tempo em que era bonito dizer: não quero me envolver.”
Vilma Kano

“A violência é um labirinto. Leve um mapa para atravessar.”
Deborah Grasmann

“Nós, as mulheres, somos todas importantes. Somos vida e luz que ninguém pode apagar.”
Patricia Amato

“Nós homens aprendemos a amar nossa carreira, hobbies, esportes, mas ainda não aprendemos a amar verdadeiramente as mulheres. Quem ama, respeita. Não abusa, não mata. Todos somos um!”
Tinho

“Todo homem nasceu de uma mulher, e será sempre assim! Somos complementares… Sem nós mulheres, não haverá evolução, extinguiremos a humanidade! Homens, reflitam, repensem, conversem sobre isso com seus amigos homens …e nos deixem viver…não somos propriedade de vocês.”
Micha

“Sou artista mulher, eu me recuso a aceitar que a violência contra nós seja tratada como algo normal. BASTA!!” Milena Brichesi

“Somos todas mulheres e temos direito de existir, sejam trans ou cis, altas ou baixas, loiras ou morenas, negras ou brancas, gordas ou magras… nada disto nos difere.”
Elisa Murgel